Home / Justiça Estadual em Foco / TJPE reduz em 94% tempo de atos cartorários

TJPE reduz em 94% tempo de atos cartorários

Para Entender Rapidamente A Diretoria Regional da Zona da Mata (DRZM), unidade de processamento remoto do TJPE, reduziu em 94,61% o tempo médio de cumprimento de atos cartorários em pouco mais de dois anos — de 274 dias para menos de 15. O modelo concentra atividades antes espalhadas por 64 unidades judiciárias em uma única estrutura especializada por matéria (criminal, cível, fazendária), com apoio da Cenjud. O resultado já aparece no Índice de Atendimento à Demanda (IAD), indicador do CNJ que mede a proporção entre processos baixados e casos novos no mesmo período.

A Diretoria Regional da Zona da Mata, unidade que integra o modelo de processamento remoto do Tribunal de Justiça de Pernambuco, reduziu em 94,61% o tempo médio de cumprimento dos atos cartorários em pouco mais de dois anos. Entre maio de 2024 e agosto de 2026, o prazo médio caiu de 274,16 dias para 14,78 dias.

Os números por trás da mudança

Instalada em 2 de maio de 2024, pela Instrução Normativa 20/2024, a DRZM tem como objetivo padronizar, racionalizar e aprimorar as atividades cartorárias do primeiro grau de jurisdição. Desde então, o acervo processual sob sua responsabilidade caiu 13,61%, passando de 200.642 processos, em maio de 2024, para 173.328, em agosto de 2026. No mesmo período, o volume de processos nas tarefas de cumprimento caiu pela metade, de 72 mil para 36 mil. Outro resultado registrado foi o arquivamento de 204.997 processos, o que contribuiu para a melhoria do Índice de Atendimento à Demanda — indicador acompanhado pelo Conselho Nacional de Justiça que mede a proporção entre o número de processos baixados e o número de casos novos apresentados no mesmo período, num tribunal ou unidade judicial.

Uma nova sala para marcar os resultados

Para celebrar os resultados e inaugurar a nova sala da DRZM, localizada no térreo do Fórum Lourenço José Ribeiro, em Olinda, servidores da Diretoria e da Cenjud realizaram um café da manhã nesta quinta-feira (24/9). O novo espaço foi planejado para oferecer melhores condições de trabalho aos servidores que atuam nos regimes híbrido e presencial, com mais integração, conforto e organização.

O que diz o juiz coordenador

Para o juiz coordenador da DRZM, Rafael Sindoni Feliciano, a nova estrutura representa a consolidação de um modelo de gestão que vem produzindo resultados para o Judiciário pernambucano. “A inauguração deste novo espaço representa mais do que uma mudança física. Ela simboliza o fortalecimento de um modelo de gestão que vem produzindo resultados concretos para a Justiça pernambucana. A experiência da DRZM demonstra que a combinação entre especialização, padronização de procedimentos, uso da tecnologia e valorização das pessoas é capaz de promover ganhos expressivos de produtividade e celeridade processual. A partir do momento que a gente tem uma equipe, a gente divide essa equipe em quem lida com a matéria criminal, com a matéria fazendária, com a matéria civil, e isso agiliza demais o cumprimento desses atos”, explica o magistrado.

A estrutura e o alcance da diretoria

Atualmente, a DRZM conta com 155 servidores, e executa os atos cartorários dos processos eletrônicos em tramitação em 64 unidades judiciárias da Zona da Mata e da Região Metropolitana do Recife, abrangendo todas as matérias e classes processuais. Pela dimensão da estrutura e pela diversidade de competências, a Diretoria exerce papel estratégico na equalização da força de trabalho e na melhoria dos indicadores de produtividade do tribunal.

A perspectiva da diretora

Para a diretora da DRZM, Carmen Magalhães de Andrade Pedrosa, a nova instalação reflete o reconhecimento do trabalho da equipe e cria condições ainda mais favoráveis para os resultados institucionais. “A inauguração desta nova sala representa um importante avanço para a nossa equipe. Além de proporcionar um ambiente mais adequado, confortável e integrado para os servidores, ela fortalece o modelo de processamento remoto que vem transformando a prestação jurisdicional em Pernambuco. Eu vejo o projeto da Diretoria como algo muito importante para o TJPE, uma vez que, como o trabalho é centralizado e especializado, ele termina sendo executado de uma forma mais célere, mais padronizada, e a gente preza muito aqui pelo treinamento para que os servidores tenham modelos para que realmente o trabalho seja mais focado”, conta a servidora.

Como funciona a Cenjud

Esse trabalho só é possível graças à Central Judiciária de Processamento Remoto do 1º Grau (Cenjud), instalada no mesmo dia que a DRZM, que permite concentrar nas diretorias as atividades cartorárias antes executadas separadamente pelas secretarias de cada unidade. Nesse modelo, os servidores podem cumprir determinações de uma vara independentemente de estarem fisicamente instalados nela.

Para a secretária da Cenjud, Danielle Nobre, a união entre equipe capacitada e ambiente de trabalho adequado contribui diretamente para os resultados. “O sistema de diretorias é importante para otimizar os resultados, mas a gente não pode esquecer da humanização. Quando eu cheguei aqui, o que eu senti e pude ver foi um bom ambiente de trabalho. Isso alegra a alma, e a gente precisa de uma alma feliz para produzir”, explica.

Os próximos passos

Entre os objetivos da Diretoria estão ainda a ampliação e a qualificação do uso de ferramentas tecnológicas, com foco em automação e padronização de rotinas. A atuação conjunta com a Cenjud e as unidades judiciárias busca fortalecer a eficiência, a inovação e a melhoria contínua da prestação jurisdicional ao cidadão pernambucano.

Também estiveram presentes na cerimônia a diretora do Fórum de Olinda, juíza Celina Gomes; a diretora executiva de Processamento Remoto, Gilka Diniz Silva; o secretário executivo da Cenjud, Paulo Serpa; além de magistrados e servidores da Cenjud e da DRZM.

Para entender os termos

  • Ato cartorário: procedimento administrativo praticado dentro de um processo judicial — como expedição de intimações, certidões e mandados — necessário para o andamento do caso, mas distinto do próprio julgamento.
  • Índice de Atendimento à Demanda (IAD): indicador do CNJ que mede a razão entre o número de processos baixados (encerrados) e o número de casos novos no mesmo período, avaliando se um tribunal consegue dar vazão à demanda que recebe.
  • Processamento remoto: modelo de gestão em que servidores executam atos cartorários de uma unidade judicial sem estar fisicamente instalados nela, concentrando essas tarefas numa estrutura especializada.
  • Acervo processual: conjunto total de processos sob responsabilidade de uma unidade ou diretoria num determinado momento, indicador central para medir o volume de trabalho pendente.

Por que isso importa

A redução de 274 para menos de 15 dias no tempo médio de cumprimento de atos cartorários não é apenas número de relatório interno — é a diferença entre um processo que avança em semanas e outro que fica meses parado esperando uma simples certidão ou intimação sair do papel. Para quem espera do outro lado — muitas vezes sem saber que o atraso está numa etapa burocrática, não na decisão do juiz —, esse tipo de ganho de eficiência se traduz diretamente em menos tempo de incerteza.

O modelo também revela algo relevante sobre onde, na prática, boa parte da lentidão do Judiciário costuma se esconder: não necessariamente na complexidade das decisões, mas na dispersão e na falta de padronização das tarefas administrativas que sustentam cada processo. Ao concentrar essas atividades numa estrutura especializada por matéria, dividida entre equipes que lidam especificamente com questões criminais, cíveis ou fazendárias, a DRZM ataca exatamente esse gargalo — mostrando que ganhos de produtividade no Judiciário nem sempre exigem mais recursos, mas às vezes apenas reorganizar como o trabalho já existente é distribuído.

O conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação jurídica individualizada, porque situações semelhantes podem produzir respostas diferentes conforme os fatos e documentos do caso.

Fonte: TJPE

Da redação, postado em 25 de setembro de 2026, às 09h00. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.

Sugestões e temas, fale com a redação aqui.

Edição Digital

Clique na Imagem e confira os PDFs
Clique na Imagem
PARTICIPE, GRUPO OFICIAL NO WHATSAPP

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Publicidade:

Marketing Jurídico para Advogados

Publicidade:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem