A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri – Sumariante de Belo Horizonte, recebeu a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais contra Adalton Martins Gomes, acusado de feminicídio contra a estudante Giovanna Neves Santana Rocha. A vítima foi encontrada morta em 9 de fevereiro, no apartamento onde morava, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
O que muda com a denúncia recebida
Com essa decisão, começa formalmente a ação penal. O investigado passa agora à condição de réu, e tem dez dias para apresentar defesa. Preso desde 15 de maio, Adalton Martins Gomes teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.
De suspeita de suicídio a indício de crime
A morte chegou a ser tratada, inicialmente, como possível suicídio — havia caixas de medicamentos espalhadas pelo apartamento. Mas o laudo da necrópsia mudou completamente essa hipótese: apontou que a vítima morreu por asfixia mecânica, decorrente de sufocação direta, com obstrução das vias aéreas por ação externa. Exames toxicológicos, segundo os investigadores, também se mostraram incompatíveis com a hipótese de overdose.
O que levou Adalton Gomes a virar o principal suspeito
As imagens do circuito de segurança do condomínio registraram a saída dele do prédio na manhã do crime. Uma testemunha afirmou que ninguém mais entrou no apartamento entre essa saída e a chegada da amiga que encontrou o corpo. Em mensagens de áudio enviadas a uma amiga da vítima, o próprio suspeito teria afirmado que Giovanna Rocha morreu em seus braços, enquanto os dois dormiam — versão que os elementos técnicos da investigação contradizem diretamente. A Polícia Civil também investiga a possibilidade de que a cena da morte tenha sido manipulada para sustentar artificialmente a hipótese de suicídio.
Um relacionamento recente, e sinais que testemunhas notaram depois
Segundo a investigação, o relacionamento entre os dois começou em outubro de 2025, e Adalton passou a morar no apartamento da vítima pouco tempo depois. Testemunhas relataram mudanças no comportamento da estudante a partir do início dessa relação, apontando sinais de isolamento e vulnerabilidade emocional. A investigação também levantou suspeitas de controle e violência psicológica em relacionamentos anteriores do próprio acusado.
O processo tramita sob o número 5051990-25.2026.8.13.0024.
Para entender os termos
- Denúncia: peça formal apresentada pelo Ministério Público para dar início a uma ação penal, expondo os fatos e pedindo o julgamento do acusado.
- Recebimento da denúncia: decisão judicial que aceita formalmente a denúncia, transformando o investigado em réu e dando início à ação penal propriamente dita.
- Feminicídio (art. 121, §2º, VI, CP): homicídio cometido contra mulher em razão de sua condição de sexo feminino, com pena mais grave que a do homicídio simples.
- 1º Tribunal do Júri – Sumariante: vara responsável pela primeira fase do procedimento do júri, na qual se decide se há elementos suficientes para levar o réu a julgamento popular.
- Prisão preventiva: modalidade de prisão decretada antes do julgamento definitivo, quando presentes requisitos legais como risco à ordem pública, à instrução criminal ou de fuga.
Por que isso importa
Os sinais que os investigadores reconstruíram depois da morte de Giovanna Rocha seguem um padrão que já aparece, com frequência preocupante, em outros casos de feminicídio: isolamento progressivo da vítima, mudança de comportamento notada por terceiros somente depois do fato consumado, e um histórico de controle e violência psicológica em relacionamentos anteriores do agressor que só ganha atenção investigativa depois da tragédia. A rapidez com que a hipótese inicial de suicídio foi afastada, diante de laudo técnico incompatível com essa versão, também reforça a importância da perícia especializada em casos de morte de mulheres dentro de relacionamentos afetivos — sem essa análise técnica rigorosa, versões fabricadas por quem cometeu o crime poderiam prevalecer sobre os fatos.
O conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação jurídica individualizada, porque situações semelhantes podem produzir respostas diferentes conforme os fatos e documentos do caso.
Fonte: TJMG
Da redação, postado em 12 de setembro de 2026, às 00h34. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.
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