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TRT1 – “Direito do Trabalho nasce no chão de fábrica”, diz novo desembargador

Após 33 anos na Justiça do Trabalho, José Mateus Alexandre Romano

Em resumo: o juiz José Mateus Alexandre Romano tomou posse como desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) na quinta-feira (8). Promovido por antiguidade, ele chega à segunda instância depois de 33 anos na Justiça do Trabalho. No discurso, defendeu o diálogo entre trabalhadores e empresas para reduzir a quantidade de processos.

“O direito do trabalho não nasce em palácios, como esse. Nasce no chão de fábrica. Nós não somos os protagonistas. Os protagonistas são eles.”

A frase, sobre trabalhadoras e trabalhadores, foi dita no Plenário Délio Maranhão, na quinta-feira (8), por José Mateus Alexandre Romano. Na sessão do Órgão Especial, ele teve a posse confirmada como desembargador do TRT-RJ, diante de magistrados, servidores, familiares, amigos e representantes de várias instituições.

Antiguidade que “é merecimento”

Romano foi promovido pelo critério de antiguidade e chega à segunda instância após 33 anos de Justiça do Trabalho.

O presidente do TRT-RJ, desembargador Roque Lucarelli Dattoli, conduziu a cerimônia e lembrou quando passou a conhecer de perto o trabalho do colega. “Foi no segundo grau, quando Vossa Excelência foi designado para a 8ª Turma, que pude constatar a qualidade do seu trabalho. Realmente, como alguém disse aqui hoje, essa promoção por antiguidade, na realidade, é uma promoção por merecimento. Vossa Excelência tem uma qualidade de trabalho notável”, afirmou. Disse também ter orgulho de ser colega do magistrado e alegria em lhe dar posse, e parabenizou a família.

O vice-presidente, desembargador Leonardo da Silveira Pacheco, falou das qualidades pessoais e da carreira do novo desembargador, e do apoio da família. “Nosso homenageado revela-se, na essência, um ser humano dócil, sensível e emotivo, cuja principal característica é a amizade sincera e a generosidade no trato com aqueles que o cercam.” Destacou ainda a experiência de Romano nas áreas bancária e jurídica, que, segundo ele, o qualifica para a magistratura trabalhista.

Representando a Associação dos Juízes do Trabalho (Ajutra), a desembargadora Dalva Amélia de Oliveira disse confiar na contribuição dele para o tribunal. “Hoje, mais do que um dia de festa, é um dia de fé. Fé na humanidade, fé nas pessoas trabalhadoras, valorosas, resilientes, éticas, tenazes e capazes de enfrentar as adversidades e de reconstruir o mundo de forma justa, igualitária e solidária.” Ela também ressaltou a competência, o senso de justiça e o espírito público do novo desembargador.

Menos processos, mais diálogo

Natural de Juiz de Fora (MG), Romano falou do carinho pela cidade natal e pelo Rio, onde vive há 34 anos. Agradeceu a autoridades, colegas, servidores, advogados, entidades, familiares e amigos, e cumprimentou representantes de trabalhadores, empregadores, sindicatos, federações e centrais sindicais.

Para ele, a sociedade precisa participar da construção das relações de trabalho. Defendeu o diálogo social e a autocomposição, quando as próprias partes chegam a um acordo, como caminhos para resolver conflitos. “Temos de caminhar juntos. Juntos encontraremos as soluções para os problemas que nos preocupam.”

O desembargador também defendeu valorizar o direito coletivo do trabalho, para prevenir conflitos e reduzir a quantidade de processos trabalhistas na Justiça.

O peso de julgar

Ao falar da responsabilidade do cargo, Romano lembrou que as decisões judiciais atingem não só as partes, mas também suas famílias. Por isso, disse, é preciso considerar a complexidade de cada caso e a dimensão humana da magistratura.

Reconheceu ainda o papel dos servidores e a dedicação das equipes com quem trabalhou. No fim, pediu sabedoria, serenidade e força física para continuar atendendo quem procura a Justiça, que considera um caminho essencial para a garantia de direitos e da democracia.

Outras saudações e medalha

Também saudaram o novo desembargador:

  • o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), Fábio Goulart Villela;
  • a juíza Fernanda Stipp, pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região (Amatra1);
  • a juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, pela Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT);
  • o juiz Ronaldo da Silva Callado, pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra);
  • José Antônio Fachada, pela OAB-RJ.

Cada um destacou, a seu modo, a trajetória do magistrado e seu compromisso com os direitos trabalhistas. Na cerimônia, Romano recebeu a medalha Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário, uma das mais altas distinções do TRT-RJ.

A trajetória

Romano entrou na magistratura em 1993, como juiz substituto do TRT-RJ. Como juiz titular, atuou na 1ª Junta de Conciliação e Julgamento de Volta Redonda e nas 26ª, 38ª e 82ª Varas do Trabalho do Rio de Janeiro. Comandava a 82ª Vara desde outubro de 2015.

A promoção foi aprovada pelo Tribunal Pleno do TRT-RJ em 6 de agosto, para a vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Ângelo Galvão Zamorano. A nomeação veio por decreto da Presidência da República de 2 de setembro, publicado no Diário Oficial da União em 3 de setembro.

Para entender os termos

  • Desembargador: juiz que atua na segunda instância, julgando recursos contra decisões dos juízes de primeiro grau.
  • Promoção por antiguidade: promoção do juiz mais antigo na carreira, em vez de escolha por mérito.
  • Órgão Especial: grupo de desembargadores que exerce funções administrativas e judiciais do tribunal pleno.
  • Autocomposição: solução de um conflito pelas próprias partes, por acordo, sem decisão de um juiz.
  • Direito coletivo do trabalho: área que trata das relações entre sindicatos, empresas e categorias, como convenções e acordos coletivos.
  • Junta de Conciliação e Julgamento: nome antigo das Varas do Trabalho, extinto em 1999.

Por André Luiz Guimarães, editor | Com informações do TRT-RJ

Publicado em 10 de outubro de 2026, às 10h15.

Fontes

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