Uma cerimônia no Fórum da Lavradio, no prédio Esperança Garcia, marcou nesta segunda-feira (14/9) o início da 16ª Semana Nacional da Execução Trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. O evento vai até 18/9 e existe para lembrar algo que qualquer trabalhador que já ganhou uma ação sabe na pele: sentença favorável não é dinheiro no bolso. É na fase de execução que os direitos reconhecidos pela Justiça viram — ou não — pagamento de verdade.
Com o slogan “Seu direito por inteiro”, a edição de 2026 tem dois alvos declarados: os grandes devedores e o fortalecimento dos núcleos de pesquisa patrimonial. A ideia é somar as forças dos Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejuscs), dos Núcleos Permanentes de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Nupemecs) e dos núcleos de inteligência patrimonial para destravar acordos e apertar o passo dos pagamentos.
“Ganha, mas não leva”: o problema que todo mundo conhece
O presidente do TRT-RJ, desembargador Roque Lucarelli Dattoli, não escondeu o incômodo na abertura do evento: a execução, disse ele, é historicamente o calcanhar de Aquiles do processo trabalhista, e o Judiciário esbarra em obstáculos de toda ordem para tornar a decisão efetiva. “Muitas coisas contribuem para que o trabalhador demore a receber o que lhe é devido ou até mesmo nem receba. Por isso que iniciativas como a Semana da Execução são importantes. Com o uso dos diversos instrumentos que hoje nós temos à disposição, contribuímos para a tentativa de dar ao trabalhador vitorioso aquilo a que ele tem direito”, afirmou.
O juiz gestor regional da Efetividade da Execução Trabalhista, Igor Fonseca Rodrigues, foi ainda mais direto ao reconhecer que as críticas à Justiça do Trabalho não são infundadas — e usou a semana como vitrine para mostrar uma resposta institucional a esse desgaste. “A gente tem ouvido nos últimos anos, talvez na última década, críticas extremamente fortes ao jeito que a Justiça do Trabalho conduz suas execuções. E é com satisfação que vejo que, este ano, o CNJ decidiu, por provimento da Corregedoria Nacional, determinar que todos os tribunais do Brasil criem centrais de execução, de núcleos de pesquisa patrimonial e de sistemas parecidos com o Projeto Garimpo”, disse.
O vice-corregedor regional, desembargador Gustavo Tadeu Alkmim, resumiu bem a expectativa de qualquer jurisdicionado: “Quantas e quantas vezes nós nos deparamos com situações da chamada situação de ganha, mas não leva? Uma iniciativa como a Semana Nacional da Execução Trabalhista, em que novamente a Justiça do Trabalho é pioneira de pautar o tema da execução como prioritário, busca atender a essa expectativa de que nós tenhamos, dentro do processo trabalhista, a efetividade e a entrega plena da prestação jurisdicional.”
Também compuseram a mesa a procuradora do Trabalho Michelle Bastos Chermon e o diretor do Foro da Lavradio, juiz Marco Antônio Belchior da Silveira. Depois das falas, o público acompanhou pelo YouTube a transmissão da abertura nacional da 16ª SNE, sediada no TRT da 19ª Região, em Alagoas.
A Semana é promovida todos os anos pela Comissão Nacional de Efetividade da Execução Trabalhista (CNEET), vinculada ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho, em parceria com os 24 Tribunais Regionais do Trabalho.
Como funciona no Rio
No TRT-RJ, quem organiza o evento é a Secretaria de Apoio à Efetividade Processual (SAE), ligada à Secretaria-Geral Judiciária, em parceria com o juiz gestor Igor Fonseca Rodrigues. Ao longo da semana, as unidades da Justiça do Trabalho promovem mutirões voltados a acelerar processos parados na fase de execução — com pesquisas e eventuais bloqueios de valores via Sisbajud, restrições sobre veículos pelo Renajud e buscas de imóveis pela Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB).
Na edição anterior, o TRT-RJ arrecadou R$ 1,7 bilhão e ficou em segundo lugar entre os tribunais de grande porte — atrás apenas do TRT de Minas Gerais, com R$ 1,9 bilhão. Nas três edições anteriores a essa, o Rio havia liderado o ranking.
Fonte: TRT1
Da redação, postado em 14 de setembro de 2026, às 19h32. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.
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