Sem os 274.411 votos anulados de Garotinho, Ruas chega a 50,88% dos válidos. A proclamação oficial ainda depende de prazos para contestação.
Em resumo: o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou neste sábado (10) a vitória de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno da eleição para governador. A retotalização foi feita depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou os 274.411 votos de Anthony Garotinho (Republicanos). Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos. Não haverá segundo turno contra Eduardo Paes (PSD), mas a proclamação formal ainda depende de etapas da Justiça Eleitoral.
A eleição para o governo do Rio foi decidida neste sábado, numa sala do Palácio da Democracia, sede do TRE-RJ. Sem nova votação e sem recontagem nas urnas, o tribunal refez a conta, e Douglas Ruas ultrapassou a metade dos votos válidos.
“O candidato mais votado para o cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro foi o candidato Douglas Ruas, alcançando mais da metade dos votos válidos, o suficiente para vencer no primeiro turno das eleições”, anunciou o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares.
O procedimento contou com os sete integrantes do tribunal e com representantes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de partidos políticos.
O que é a retotalização
É o procedimento em que a Justiça Eleitoral recalcula o resultado quando uma decisão judicial muda a validade de votos ou a situação de uma candidatura.
No caso do Rio, os votos já computados foram mantidos, mas os de Garotinho saíram da conta dos votos válidos para governador, como determinou o TSE. Com uma base menor, os percentuais dos demais candidatos sobem.
A conta
Na apuração inicial, Ruas teve 4.271.199 votos, ou 49,27% dos válidos. Paes ficou em segundo, com 3.706.984 votos (42,76%). Garotinho recebeu 274.411 votos (3,17%).
Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de mais da metade dos votos válidos. Como ninguém tinha chegado lá, a previsão era de segundo turno entre Ruas e Paes em 25 de outubro.
Sem os votos de Garotinho, Ruas sobe para cerca de 50,88%. Ele fica aproximadamente 73,9 mil votos acima do mínimo necessário. A diferença entre Ruas e Paes continua a mesma: 564.215 votos.
Por que os votos de Garotinho foram anulados
Garotinho teve o registro de candidatura negado por causa de uma condenação por improbidade administrativa. A defesa sustentava que o prazo de inelegibilidade já tinha sido cumprido.
Ele recorreu ao TSE, e, por isso, seus votos apareceram na apuração como “anulados sub judice”, à espera de uma definição.
Na segunda-feira (5), um dia depois da votação de domingo (4), Garotinho pediu para desistir do recurso. O TSE não aceitou: entendeu que a desistência depois da eleição poderia interferir no resultado.
Na quinta-feira (8), o tribunal manteve o indeferimento do registro e decidiu, por cinco votos a dois, anular os votos. Para a maioria, eles não podiam continuar na conta dos votos válidos. Os dois ministros que divergiram defendiam mantê-los para definir se haveria segundo turno.
A tentativa de Paes no STF
A coligação de Eduardo Paes pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendesse a decisão do TSE. O argumento: Garotinho estava na urna, os eleitores votaram nele, e excluir esses votos depois da eleição ignoraria a vontade expressa nas urnas e impediria o segundo turno.
Na quinta-feira (8), o ministro Cristiano Zanin negou o pedido por questões processuais. Segundo ele, o recurso extraordinário ainda não tinha sido apresentado, o TSE não tinha feito o exame de admissibilidade, e o acórdão do tribunal eleitoral não estava no processo. Zanin não julgou se a tese de Paes estava certa ou errada.
Depois disso, Paes desistiu de recorrer. “Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia”, escreveu nas redes sociais.
O que acontece agora
O resultado recalculado ficará público por três dias. Depois, partidos, federações e outras partes legitimadas terão dois dias para apresentar impugnações.
Se houver questionamentos, eles serão julgados pelo plenário do TRE-RJ. A proclamação formal do governador eleito virá depois dessa etapa. Até lá, o presidente do tribunal suspendeu a propaganda eleitoral no rádio e na TV.
A expectativa é que, concluídas essas etapas, Ruas seja proclamado governador eleito no primeiro turno.
O que isso muda para você
Se você vota no Rio, não haverá segundo turno para governador em 25 de outubro, salvo mudança na fase de impugnações. Fique atento a outras disputas que ainda possam ir ao segundo turno na sua cidade.
Para entender os termos
- Retotalização: nova soma dos votos feita pela Justiça Eleitoral após uma decisão que muda a validade de votos ou candidaturas.
- Votos válidos: votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos.
- Maioria absoluta: mais da metade dos votos válidos, exigida para vencer no primeiro turno.
- Sub judice: situação de algo que ainda está sendo decidido pela Justiça.
- Indeferimento do registro: decisão da Justiça Eleitoral que nega a alguém o direito de ser candidato.
- Impugnação: contestação formal de um resultado ou de uma decisão.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.
Por André Luiz Guimarães, editor | Revisão jurídica: Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, OAB/RJ 205.702 | Com informações do g1
Publicado em 10 de outubro de 2026, às 11h00.













