Home / Justiça Estadual em Foco / TJPI – Onze horas para proteger uma mulher: o que três varas do Piauí têm a ensinar — e o resto do país ainda não aprendeu

TJPI – Onze horas para proteger uma mulher: o que três varas do Piauí têm a ensinar — e o resto do país ainda não aprendeu

Enquanto boa parte do Judiciário brasileiro ainda arrasta processos por meses, três unidades judiciárias do Piauí mostram que expedir uma medida protetiva de urgência em poucas horas não é utopia — é rotina. A Vara Única de Amarante, a Vara de Crimes contra a Dignidade Sexual e Vulneráveis e a Vara Única de Luzilândia despontam num levantamento recente por analisarem esses pedidos em menos de 14 horas, um prazo que, em situações de violência doméstica, pode ser a diferença entre proteção e tragédia.

Os números, isoladamente, já dizem muito. A Vara Única de Amarante leva, em média, 0,48 dia para expedir uma medida — pouco mais de 11 horas e meia. Logo atrás vem a Vara de Crimes contra a Dignidade Sexual e Vulneráveis, com 0,53 dia, cerca de 12 horas e 43 minutos. Fecha o pódio a Vara Única de Luzilândia, com 0,55 dia — por volta de 13 horas e 12 minutos. Em nenhuma dessas três unidades a espera chega a um dia inteiro. Para quem depende dessa resposta, isso significa não passar uma noite inteira em risco enquanto o pedido dorme numa fila de processos.

O segredo não é tecnologia sozinha — é gente monitorando de perto

Perguntado sobre como sua unidade consegue esse tempo, o juiz da Vara Única de Amarante, Dr. Danilo Melo, foi direto ao apontar que a resposta é coletiva, não individual:

“É um trabalho de equipe; secretaria, gabinete, oficiais de justiça, todos monitoram constantemente o PJE. Ao identificar o ingresso de um novo pedido de Medida Protetiva de Urgência disparamos um comunicado no grupo institucional de WhatsApp da unidade para que todos saibam e possamos apreciar na maior brevidade possível e somado à isso podemos contar com o sistema de inteligência Julia do Tribunal de Justiça do Piauí que quando do ingresso de uma MPU dispara uma notificação via WhatsApp ao magistrado da unidade.”

Vale reparar: o diferencial não é apenas a inteligência artificial do sistema Julia — é a soma dela com uma equipe que efetivamente monitora e reage em tempo real. É tecnologia a serviço de gente disposta a usá-la com urgência, não um sistema automatizado funcionando sozinho enquanto ninguém olha.

Por que cada hora reduzida importa

É fácil tratar esse tipo de indicador como estatística de produtividade — mas seria um erro. O tempo entre o pedido de uma medida protetiva e sua efetiva concessão é, na prática, o tempo em que uma mulher permanece exposta a um agressor, sem qualquer restrição legal que o afaste. Restrições de aproximação, afastamento do lar, proibição de contato: nada disso protege enquanto o papel ainda está em tramitação.

O Corregedor-Geral da Justiça do Piauí, Desembargador Erivan Lopes, resume o peso simbólico e prático dessa celeridade:

“Quando uma mulher procura o Poder Judiciário em uma situação de violência, ela precisa encontrar uma resposta rápida, efetiva e capaz de protegê-la. Cada hora reduzida nesse percurso pode representar mais segurança e, em determinadas circunstâncias, pode ser decisiva para preservar a sua integridade. A celeridade não é apenas um indicador de eficiência: é uma forma concreta de proteção e de garantia de direitos.”

A frase carrega uma verdade incômoda que o próprio Judiciário raramente admite em voz alta: velocidade, aqui, não é luxo processual — é o próprio conteúdo do direito. Uma medida protetiva concedida em três semanas não protege menos “tecnicamente”; protege menos de fato, porque a violência não espera o rito processual seguir seu curso normal.

O que fica por trás do destaque

O levantamento tem um mérito claro: mostra que dá para fazer diferente, e mostra o caminho — equipe atenta, fluxo de comunicação direto, tecnologia usada como alerta e não como enfeite institucional. Mas um destaque como esse também expõe, por contraste, o que não é dito: se essas três unidades merecem ser citadas como exceção, é porque o restante da rede de varas — no Piauí e no Brasil — ainda opera em ritmo bem mais lento diante do mesmo tipo de urgência. O relatório celebra boas práticas, e é justo que celebre; mas caberia perguntar, também, quanto tempo levam as varas que não aparecem no topo dessa lista — e quantas mulheres, nesse meio-tempo, seguem esperando por uma resposta que devia ter chegado em horas, não em dias ou semanas.

Da redação, postado em 17/08/2026, às 19h33. Fonte: TJPI

Edição Digital

Clique na Imagem e confira os PDFs
PARTICIPE, GRUPO OFICIAL NO WHATSAPP

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Publicidade:

Marketing Jurídico para Advogados

Publicidade:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem