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Só agora a Justiça do Trabalho decide ouvir a sociedade para planejar seu futuro

Dirigentes dos 24 TRTs discutem os desafios até 2032, de plataformas digitais à inteligência artificial, em um planejamento que se diz participativo pela primeira vez.

Por Editor André L. Guimarães | Revisão jurídica: Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, OAB/RJ 205.702

Publicado em 22 de outubro de 2026, às 11h20

Presidentes, corregedores e gestores dos 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) se reuniram na quarta-feira (21) para discutir os desafios da Justiça do Trabalho até 2032. A oficina aconteceu na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), durante a reunião do Colégio de Presidentes e Corregedores dos TRTs (Coleprecor). O encontro faz parte da elaboração do plano estratégico que vai definir as prioridades e as ações da instituição nesse período.

Na pauta, entraram as mudanças nas relações de trabalho, como a expansão das plataformas digitais, as novas formas de contratação e os efeitos da inteligência artificial. Também foram discutidos desafios do próprio Judiciário:

  • garantir que as decisões judiciais sejam cumpridas;
  • dar conta do volume de processos;
  • fortalecer a confiança da sociedade na Justiça do Trabalho.

Preparar a Justiça para as mudanças

Para a presidente do Coleprecor, desembargadora Hermenegilda Leite Machado, o planejamento precisa olhar para as transformações da sociedade e do mundo do trabalho, e não só para o andamento dos processos.

“Não há como a gente fazer um planejamento estratégico apenas olhando para o processo; precisamos também ter uma visão inteira e saber o que está acontecendo ao nosso redor e no mundo do trabalho”, afirmou.

A oficina reuniu dirigentes que estão terminando seus mandatos e os eleitos para as próximas gestões. Para Hermenegilda, isso favorece a troca entre quem já conhece os desafios da administração dos tribunais e quem está prestes a assumir.

“Acho que foi muito oportuno essa oficina se oferecer exatamente neste momento de transição e de renovação das administrações dos tribunais e das corregedorias. É uma oficina que vai ter um bom proveito porque ela está permitindo que tanto aqueles que estão e têm uma experiência a passar, quanto aqueles que estão chegando participem desse debate”, disse.

Ouvir diferentes públicos

Para construir o plano, foram mapeados 101 grupos que se relacionam direta ou indiretamente com a Justiça do Trabalho. Também foram feitas uma pesquisa nacional com mais de 2 mil participantes e mais de 70 entrevistas em profundidade. O objetivo é reunir experiências e opiniões que ajudem a entender os desafios da instituição e o que se espera dela.

Segundo Renata Freire Camargos, da Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (Seggest) do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ouvir públicos diversos é uma das marcas do método adotado.

“Todas essas ações fazem parte de uma perspectiva diferente do planejamento estratégico, que é a primeira vez que a Justiça do Trabalho de fato utiliza: considerar seus públicos e fazer com que o planejamento estratégico seja um processo participativo”, explicou.

As pesquisas e entrevistas ajudam a identificar sinais de mudança e expectativas sobre a Justiça do Trabalho. Nas oficinas, essas informações são discutidas e os cenários são analisados com base na experiência dos participantes.

Para Carla Mota, coordenadora de Planejamento e Gestão Estratégica do TRT da 21ª Região (RN) e gerente do Laboratório de Inovação do tribunal, a diversidade de participantes amplia a visão dos desafios e ajuda a formular propostas.

“É diferente a percepção do gestor de um tribunal de grande porte para um de médio ou pequeno porte. Reunindo pessoas de portes diferentes, fica mais completa essa percepção e a proposição de ideias”, pontuou.

Como as oficinas vão orientar o planejamento

As propostas das oficinas serão analisadas junto com os resultados das pesquisas e entrevistas e com dados históricos dos tribunais. Tudo isso vai servir de base para um diagnóstico estratégico, que vai definir objetivos, indicadores, metas e iniciativas da Justiça do Trabalho de 2027 a 2032.

O trabalho é coordenado pela Seggest do CSJT, com apoio de 15 laboratórios de inovação da Justiça do Trabalho. Os TRTs da 21ª Região (RN), da 3ª Região (MG) e da 10ª Região (DF/TO) formaram uma equipe de especialistas em gestão estratégica para ajudar a conduzir as oficinas.

Além do encontro com o Coleprecor, a programação inclui cinco oficinas temáticas, de 19 a 30 de outubro, com gestores e servidores de várias áreas. Os temas são:

  • gestão de pessoas e formação profissional;
  • tecnologia, dados e inteligência artificial;
  • orçamento e governança;
  • comunicação, sociedade e sustentabilidade;
  • prestação jurisdicional.

O planejamento nacional será feito em conjunto com os planos do CSJT e dos 24 TRTs. O método permite que cada tribunal regional avance em seu plano local à medida que as etapas nacionais forem concluídas, combinando objetivos comuns com as características de cada região.

O cronograma prevê entregas mensais até junho de 2027, quando os planos para os próximos seis anos devem ficar prontos. Ou seja, o plano para 2027 a 2032 só deve estar concluído com o primeiro semestre do período já encerrado.

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