Conhecido como “Ximba”, ele é apontado como responsável por uma central de golpes financeiros ligada ao Comando Vermelho. Foi preso ao voltar da Europa.
Por André Luiz Guimarães, editor | Com informações do Metrópoles
Publicado em 9 de outubro de 2026, às 12h12
Em resumo: Gabriel Maurício Soares Paes, o “Ximba”, foi preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (9) no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio, quando voltava da Europa. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), ele é operador financeiro do Comando Vermelho (CV) e teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano, usando laranjas, empresas de fachada e contas bancárias de terceiros.
Ele desembarcou de madrugada, vindo da Europa, e não passou do aeroporto. Gabriel Maurício Soares Paes, conhecido como “Ximba”, foi preso em flagrante no Galeão nesta sexta-feira (9).
Para a Polícia Civil, ele não é um nome qualquer na estrutura do Comando Vermelho. As investigações apontam que Ximba comandava uma central de golpes financeiros ligada à facção e teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano.
Como o dinheiro circulava
Segundo a PCERJ, o esquema funcionava por meio de uma rede de contas bancárias, laranjas e empresas. Essa engrenagem teria servido para receber, transferir, dividir e fazer circular o dinheiro obtido pela central de golpes, que seria operada por Ximba.
Parte do mecanismo consistia em receber ou entregar dinheiro vivo, inclusive vindo do tráfico de drogas, e fazer a compensação por Pix, transferências bancárias e contas de laranjas ou de empresas.
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Ligação com os chefes do CV
De acordo com a polícia, o grupo de Ximba estaria subordinado às lideranças de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, um dos principais chefes do CV, e de Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”.
Ximba também atuaria diretamente com Nikolas Fernandes Soares, o “Hurley”, preso na Megaoperação Contenção, em 28 de outubro de 2025. Hurley era gerente do tráfico no Complexo da Penha e operador financeiro ligado a Doca.
Tráfico e golpes no mesmo caixa
As investigações indicam que Ximba e Nikolas agiam de forma coordenada para movimentar, espalhar e disfarçar dinheiro ilícito, inclusive do tráfico. Para isso, usavam contas de laranjas, empresas e firmas com características de fachada em diferentes estados.
No caso de Ximba, os elementos mais recentes ligam essa engrenagem também a uma estrutura voltada à aplicação sistemática de fraudes e golpes financeiros. O dinheiro desses golpes, segundo a polícia, depois entrava no circuito de movimentação e ocultação da facção.
O papel de Ximba ficou mais claro com a análise dos dados telemáticos de Nikolas. As conversas mostraram uma rotina de transferências, uso de contas e empresas de terceiros, saques, circulação de grandes quantias e conversão de dinheiro vivo em transferências bancárias. Para a polícia, isso evidencia a ligação entre a central de fraudes de Ximba e a estrutura financeira do CV.
Contas da companheira
A apuração financeira também encontrou indícios de que pessoas próximas a Ximba eram usadas para receber e movimentar dinheiro, entre elas a companheira dele.
Relatórios de inteligência financeira apontaram fortes indícios de que contas ligadas a ela possam ter funcionado como extensão do esquema. Essas contas teriam recebido inclusive valores de empresas com características de fachada em Rondônia.
O que diz a polícia
Para a PCERJ, a descoberta mostra mais uma forma de o Comando Vermelho lucrar com o domínio de territórios. Segundo a corporação, o controle armado de comunidades não serve apenas para proteger o tráfico, mas também cria um ambiente de segurança e impunidade para estruturas paralelas de obtenção, circulação e lavagem de dinheiro ilícito.
O que isso muda para você
Esquemas como esse dependem de laranjas, muitas vezes pessoas que emprestam ou vendem a própria conta bancária. Ceder sua conta, seu CPF ou seu nome para movimentar dinheiro de terceiros pode levar você a responder por crimes como lavagem de dinheiro. Se alguém pedir sua conta “emprestada”, recuse.
Para entender os termos
- Laranja: pessoa que empresta o nome, o CPF ou a conta bancária para esconder o verdadeiro dono do dinheiro.
- Empresa de fachada: empresa que existe no papel, mas não tem atividade real e serve para disfarçar a origem de recursos.
- Lavagem de dinheiro: conjunto de operações para fazer dinheiro de origem criminosa parecer legal.
- Dados telemáticos: informações de comunicações digitais, como mensagens, e-mails e registros de aplicativos.
- Relatório de inteligência financeira: documento produzido pelo Coaf com movimentações bancárias suspeitas, enviado às autoridades de investigação.
- Prisão em flagrante: prisão feita no momento do crime ou logo depois dele.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.













