Home / Eventos / “O que você chama de amor?” A pergunta que o TJRJ decidiu levar a sério nesta semana

“O que você chama de amor?” A pergunta que o TJRJ decidiu levar a sério nesta semana

Não é todo dia que um tribunal abre suas portas para discutir amor. Foi exatamente essa a proposta que colocou em movimento a série “Amor & Justiça”, iniciada nesta segunda-feira (17) pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), no Rio de Janeiro. Até o dia 25 de agosto, o espaço reúne intelectuais, artistas e profissionais do Direito para debater dois conceitos que raramente aparecem juntos numa mesma frase — e que, segundo os organizadores, precisam urgentemente voltar a conversar entre si.

A série é coordenada pela desembargadora Andréa Pachá e pela pesquisadora Bianca Ramoneda, com inspiração declarada na obra da escritora bell hooks. A proposta não nasceu como exercício filosófico gratuito: para a desembargadora, o projeto responde a uma preocupação concreta com a desumanização das relações e o desgaste da linguagem no cotidiano. “Nesse contexto de desumanização e desgaste das palavras, a justiça e o amor precisam ser ressignificados, pensados multidisciplinarmente, para buscarmos caminhos para a prevalência do humano na justiça”, resumiu.

Filosofia e linguística abriram a série discutindo por que a violência “viaja mais longe”

O primeiro encontro trouxe ao palco o doutor em Filosofia Renato Noguera e a linguista Jana Viscardi — uma combinação pensada para cruzar dois olhares diferentes sobre o mesmo problema: como o afeto se constrói, e como o discurso de violência se espalha.

Para Noguera, o amor funciona como um afeto que precisa ser distribuído de forma que a sociedade inteira caiba dentro dele. Ele apoiou essa ideia em algo próximo de uma constatação clínica: “o amor é um afeto fundamental e a gente tem evidências de que pessoas que têm menos estado de amorosidade tendem a resolver os conflitos usando a violência como recurso. Quem tem um investimento amoroso, que é amado e vive num ambiente com mais amorosidade, tem mais consciência emocional para lidar com a vida sem colocá-la em risco.”

Jana Viscardi levou a discussão para um terreno mais imediato: o comportamento das redes sociais. Sua preocupação é com a forma como certos discursos — justamente os que se afastam do que ela chama de conceito de amor — acabam sendo os que mais engajam, e por isso os que mais circulam. “Muitas vezes, a violência é o caminho mais direto e interessante, porque é o que leva o conteúdo a seguir. Temos visto que conteúdos violentos, hoje em dia, têm um caminho muito mais longo”, observou a linguista — uma frase que soa quase como diagnóstico do próprio algoritmo que sustenta boa parte do debate público atual.

O próximo encontro pergunta: quem ama, mata?

Nesta quarta-feira (19), às 18h, a série segue com o tema “Quem ama não mata”, reunindo a escritora Eliana Cruz, o juiz Rubens Casara e o advogado criminalista Antônio Pedro Melchior. Para a desembargadora Andréa Pachá, a expectativa é aproximar os dois campos — justiça e amor — e observar a atuação do Judiciário sob essa lente pouco convencional.

Ela não escondeu o incômodo que motiva essa escolha temática: “nós vemos, com a linguagem das redes sociais, o recrudescimento da vingança, do justiçamento, dos cancelamentos, dos julgamentos apressados. Discutir isso na perspectiva do amor também é muito relevante, para pensar numa atuação do Judiciário que seja mais acolhedora, mais amorosa. Amor como um conceito em movimento, amor como um conceito político, amor como um conceito que faça sentido para todos esses saberes”, completou.

Programação completa da série

  • 19 de agosto, 18h — “Quem ama não mata”
    Rubens Casara (juiz e psicanalista), Eliana Cruz (jornalista) e Antônio Pedro Melchior (advogado criminalista).
  • 20 de agosto, 18h — “Amar é um ato político?”
    Rosane Borges (professora da PUC-SP) e Julio Braga (advogado).
  • 24 de agosto, 18h — “A idealização do amor”
    Alexandre Coimbra (psicólogo) e Clarisse Niskier (atriz).
  • 25 de agosto, 18h — “E se tudo terminasse em amor?”
    Pedro Luís (compositor).

Serviço:
Datas: 17, 19, 20, 24 e 25 de agosto
Horário: 18h
Local: Espaço Cultura na Justiça — Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro
Endereço: Rua Dom Manuel, 29, térreo, Centro do Rio

Levar essa conversa para dentro de um tribunal não é enfeite institucional — é, no fundo, uma aposta de que a linguagem que sustenta o Judiciário também precisa de reparo. Se o discurso de ódio “viaja mais longe” nas redes, como observou Jana Viscardi, talvez valha a pena perguntar por que o discurso de justiça, tantas vezes, viaja tão pouco.

Faça sua inscrição aqui

Edição Digital

Clique na Imagem e confira os PDFs
PARTICIPE, GRUPO OFICIAL NO WHATSAPP

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Publicidade:

Marketing Jurídico para Advogados

Publicidade:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem

Apoio:

Clique na Imagem