Nesta quinta-feira (13), a Justiça do Amapá trocou o fórum pela sala de aula. Deu sequência ao cronograma da campanha Agosto Lilás 2026 com uma agenda apertada: nove escolas da rede pública de Santana, uma atrás da outra, recebendo a equipe da Vara do Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, sob a titularidade do juiz Davi Schwab Kohls. O objetivo declarado é simples de enunciar, mas raramente simples de executar: aproximar o Judiciário da comunidade escolar antes que a violência vire notícia, não depois.
A primeira parada foi a Escola Estadual Antônio Januário Corrêa. Ali, a equipe abriu a roda de conversa pelos mecanismos de proteção da Lei Maria da Penha — e insistiu num ponto que costuma passar despercebido: violência não tem um único rosto. Há vários tipos, e reconhecer o abuso é o primeiro passo antes de qualquer denúncia.
Foi exatamente esse fio que a psicóloga do Juizado de Violência Doméstica, Jacqueline Sousa, puxou ao falar sobre violência psicológica entre adolescentes. Isolamento social, queda de autoestima, comportamentos de controle dentro de um relacionamento — para ela, são sinais que precisam ser identificados cedo, muito antes de qualquer agressão física acontecer.
Enquanto isso, num outro canto da escola, a assistente social Janice Divino sentava com adolescentes de 12 a 16 anos para falar sobre relacionamentos abusivos. Não era uma palestra sobre um problema distante: era sobre reconhecer sinais antes que eles se agravem. “Nosso objetivo é conscientizá-los e capacitá-los a identificar precocemente sinais de abuso nessas relações. Ao promover esse debate, buscamos evitar que esses jovens normalizem comportamentos nocivos e, assim, impedir que essas dinâmicas se perpetuem e possam resultar em situações de violência doméstica no futuro”, explicou.
Para a coordenadora da escola, Maria Gorete Caldas, essa conversa não é opcional — é urgente, principalmente onde a rotina dos alunos já esbarra de perto na violência. “A discussão sobre violência contra a mulher nas escolas é essencial por ser um tema urgente e frequente no cotidiano dos alunos, especialmente em áreas de periferia. O debate visa orientar os estudantes e fornecer informações sobre como realizar denúncias, capacitando-os a enfrentar essa realidade, que pode estar presente em seus próprios lares”, pontuou.
Informação também é proteção
Quem talvez tenha resumido melhor o que ficou daquela manhã foi uma das próprias alunas. Manuella Lopes saiu da palestra com uma percepção que muita gente adulta ainda não tem clara: violência nem sempre deixa hematoma. “Tive a percepção de que certas violências não são necessariamente físicas. Elas podem ser psicológicas, morais e vicárias. O mais importante é a palavra respeito entre mulheres e homens e entre todos”, afirmou.
A visita a Santana é uma entre várias ações que compõem o Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher que segue percorrendo escolas, instituições e espaços públicos do Amapá ao longo do mês.
Canais de denúncia e acolhimento
Quem precisar de orientação, proteção ou atendimento pode recorrer aos canais oficiais do Judiciário e da segurança pública:
- Juizado da Mulher de Santana — atendimento e orientações na sede do Fórum da Comarca.
- Ouvidoria da Mulher do TJAP — atendimento institucional pelo telefone (96) 3312-3300.
- Central de Atendimento à Mulher — orientação e registro de denúncias pelo Ligue 180, ligação gratuita.
- Polícia Militar — em situações de emergência, acione o 190.
Da redação, postado em 14/08/2026, às 00h56, fonte: TJAP












