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Meta derruba e depois reativa perfil de Porchat

Para Entender Rapidamente A Meta tirou do ar, nesta quarta-feira (23/9), o perfil do projeto Revelando no Instagram, horas depois de o humorista Fábio Porchat publicar um vídeo relacionando o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. A conta voltou algumas horas depois, mas a empresa não explicou qual regra teria sido violada — disse apenas ter feito “uma revisão interna”. Porchat afirma que o conteúdo era só uma reunião de fatos já publicados pela imprensa, e diz que o episódio prejudicou o alcance dos vídeos.

O humorista Fábio Porchat se pronunciou depois de a Meta retirar do ar, nesta quarta-feira (23/9), o perfil do projeto Revelando no Instagram. A página voltou a ficar disponível horas depois, mas, segundo a equipe responsável pela produção, a plataforma não apresentou justificativa específica para a medida. Ao Metrópoles, a Meta afirmou que restaurou a conta após fazer “uma revisão interna”.

O vídeo que antecedeu a queda do perfil

A retirada aconteceu depois da publicação do vídeo “Grandes Igrejas, Master Negócios”, apresentado por Porchat. O conteúdo aborda relações envolvendo o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política brasileira.

No vídeo publicado nesta quarta, Porchat afirma que o perfil já havia alcançado mais de 6 milhões de visualizações, além de 140 mil compartilhamentos e 33 mil comentários nos cortes do episódio. Segundo ele, o programa também chegou ao primeiro lugar do ranking Hype do YouTube.

“Hoje de manhã, a página do Instagram do Revelando foi derrubada pela Meta sem nenhuma justificativa”, disse Porchat.

“Não era campanha, não era calúnia, não era achismo”

O humorista afirmou que o conteúdo apresentado na produção não seria campanha política nem opinião pessoal, mas uma reunião de informações que, segundo ele, já haviam sido publicadas pela imprensa. “O vídeo não era campanha, não era calúnia, não era achismo, era uma lista de fatos, todos eles amplamente reportados pela imprensa e explicados de uma forma acessível para todo mundo (…) A gente mostrou as relações estreitas que existem entre políticos como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, a Igreja Batista da Lagoinha, Daniel Vorcaro e o STF”, disse.

O pedido aos seguidores

Depois de a página voltar ao ar, Porchat pediu que os seguidores ajudassem a recuperar o alcance do perfil e dos vídeos publicados pelo projeto. Segundo ele, a retirada temporária prejudicou o engajamento, e o humorista convocou o público a seguir e compartilhar os conteúdos do Revelando. “Depois de muita pressão, a página voltou pro ar, mas a gente não sabe por quanto tempo. E claro que depois de várias horas fora do ar, os vídeos perderam o engajamento”, afirmou.

O que a Meta disse

A empresa se pronunciou nesta quarta-feira, após a repercussão do caso, confirmando a reativação da conta. “Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pela inconveniência”, disse a Meta, sem dar mais detalhes sobre qual regra teria motivado a remoção original.

Para entender os termos

  • Art. 19, Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014): dispositivo que trata da responsabilidade das plataformas por conteúdo de terceiros, historicamente exigindo ordem judicial específica para remoção, com o objetivo declarado de proteger a liberdade de expressão e evitar censura.
  • Dever de transparência na moderação: obrigação reconhecida pelo STF, em julgamento concluído em 2025, que amplia as responsabilidades das plataformas digitais, incluindo maior clareza sobre os motivos de remoções e suspensões de conteúdo.
  • Moderação de conteúdo: conjunto de decisões e critérios internos que uma plataforma usa para permitir, restringir ou remover publicações, geralmente baseados em seus próprios termos de uso.
  • Revisão interna: processo pelo qual uma empresa reavalia uma decisão já tomada, sem necessariamente divulgar os critérios técnicos ou os responsáveis por essa reavaliação.

Por que isso importa

O episódio expõe uma tensão que já vem sendo debatida no próprio Judiciário brasileiro: até que ponto uma plataforma privada pode remover conteúdo sem explicar publicamente o motivo, mesmo quando esse conteúdo trata de temas de interesse público? O Supremo Tribunal Federal, ao analisar recentemente o artigo 19 do Marco Civil da Internet, já reconheceu que as plataformas digitais têm hoje obrigações ampliadas de transparência e cuidado na moderação de conteúdo — não bastando simplesmente remover e, depois, se limitar a dizer que houve uma “revisão interna” sem detalhar qual regra teria sido violada.

Casos como esse tendem a se tornar mais frequentes à medida que criadores de conteúdo se aproximam de temas sensíveis — envolvendo bancos, igrejas ou figuras políticas —, testando os limites entre moderação legítima de conteúdo e remoção sem explicação clara o suficiente para que o próprio produtor entenda o que fez de errado, se é que fez algo. Para o público, a lição prática é dupla: acompanhar como plataformas justificam — ou deixam de justificar — esse tipo de decisão, e reconhecer que o alcance de um conteúdo pode ser afetado de forma significativa mesmo quando a remoção acaba sendo revertida horas depois.

Fonte: Metropoles

O conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação jurídica individualizada, porque situações semelhantes podem produzir respostas diferentes conforme os fatos e documentos do caso.

Da redação, postado em 23 de setembro de 2026, às 12h50. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.

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