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Delegada do Pará é presa suspeita de vender informações a chefe do PCC

Para a Polícia Civil de Pernambuco, os dois tinham relação “promíscua” desde 2024. Ela teria recebido Pix de R$ 50 mil por dados sigilosos.

Por André Luiz Guimarães, editor | Com informações do g1

Publicado em 16 de outubro de 2026, às 10h00

Em resumo: a Polícia Civil de Pernambuco prendeu na quinta-feira (15), no Distrito Federal, a delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No mesmo dia, no Recife, foi preso Renato Henrique do Carmo, o “Gordão”, apontado como um dos chefes da facção. Segundo a investigação, ele pagava a delegada em troca de dados dos sistemas policiais e de proteção.

Quem deveria investigar o crime organizado é suspeita de ter trabalhado para ele. Esse é o centro da Operação Sinalagma, cujos detalhes a Polícia Civil de Pernambuco divulgou nesta sexta-feira (16).

“Relação bastante promíscua”

De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, um dos responsáveis pela investigação, a delegada e o chefe da facção mantinham uma relação “promíscua” havia mais de um ano, com indícios de que tinham também um relacionamento amoroso.

Maria Virgínia atuava na Divisão de Polícia Administrativa da Polícia Civil do Pará. Segundo a polícia, ela teria recebido dinheiro em troca de informações sigilosas e de proteção institucional a integrantes do PCC.

“A investigação revelou que havia uma relação bastante promíscua entre essa liderança do grupo criminoso e a delegada. Houve pagamentos, ele efetuou um PIX de R$ 50 mil para essa delegada em troca de informações. Ela consultava os sistemas policiais da Polícia Civil do Pará e repassava informações sigilosas para ele”, afirmou o delegado.

Como tudo teria começado

As investigações apontam que a relação começou em 2024, depois que Renato foi preso no Pará. Ele estava com um documento falso e, mesmo assim, foi liberado pela delegada e por sua equipe.

Para o delegado Ney Luiz Rodrigues, a abordagem pode ter sido armada. “Aparentemente, ela criou uma situação para que pudesse conduzir ele para a delegacia. O boletim de ocorrência descreve que ele teria batido no carro dela. Ela foi falar com ele e ele ofendeu ela. Aí ela chamou outra equipe policial, veio outro delegado e conduziu ele para a delegacia. Creio que ela teria, na verdade, criado essa situação”, disse.

A polícia encontrou conversas em que a delegada garantia proteção ao chefe do PCC caso ele voltasse ao Pará, além de registros de que ela consultava os sistemas policiais e repassava as informações em troca de pagamentos.

Renato também convidava Maria Virgínia para visitá-lo e pagava as viagens. “Convidou ela para vir aqui para Pernambuco. Aparentemente, custeou as passagens dela também. Pediu para ela vir sozinha”, contou o delegado.

Quem é o “Gordão”

A Operação Sinalagma começou em janeiro de 2025, quando Renato Henrique do Carmo foi preso em Muro Alto, em Ipojuca, no Grande Recife. Meses depois, ele foi solto e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. A prisão desta quinta-feira foi a segunda dele em Pernambuco.

Antes, segundo a polícia, ele atuava na facção em São Paulo, onde tinha um mandado de prisão em aberto, e usava documentos falsos para escapar da polícia e continuar cometendo crimes.

“Ele tinha um mandado de prisão expedido pela Justiça de São Paulo, justamente por ser uma liderança lá. Usava o nome falso lá em São Paulo também. Só que ele fugiu para o Pará e se estabeleceu lá. Ele já estava no Pará já tinha uns cinco anos”, relatou o delegado.

Do Pará, de acordo com a investigação, ele comandava atividades do crime organizado, principalmente o tráfico de drogas, no Acre, no Pará e no Amazonas. A polícia estima que a organização tenha movimentado cerca de R$ 14 milhões.

Joias de R$ 500 mil

Na casa de Renato, no Recife, a Polícia Civil apreendeu joias e relógios que, se for confirmada a autenticidade das grifes, valem mais de R$ 500 mil. Ele foi preso por meio de um mandado de prisão temporária e levado ao sistema penitenciário de Pernambuco.

A reportagem não traz a posição das defesas dos dois investigados.

O que isso muda para você

Os dois investigados estão presos, mas ainda não foram julgados: as informações divulgadas são da investigação policial. O caso expõe um risco grave para qualquer cidadão: quando dados sigilosos de sistemas policiais vazam para o crime organizado, testemunhas, vítimas e os próprios investigadores ficam vulneráveis.

Para entender os termos

  • PCC (Primeiro Comando da Capital): facção criminosa surgida em São Paulo, com atuação em vários estados.
  • Prisão temporária: prisão decretada durante a investigação, por prazo determinado, para ajudar a apurar crimes graves.
  • Tornozeleira eletrônica: equipamento que permite monitorar a localização de quem responde em liberdade.
  • Mandado de prisão: ordem judicial que autoriza a prisão de uma pessoa.
  • Sistemas policiais: bancos de dados de uso restrito das polícias, com informações de investigados, veículos e ocorrências.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.

Fontes

Reportagem original: Chefe do PCC e delegada do Pará mantinham ‘relação promíscua’ desde 2024, diz polícia

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