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SUS, filas e remédios: o que Lula e Flávio propõem para a saúde?

Fila de exames, Farmácia Popular, Mais Médicos e prontuário digital: compare as propostas dos dois candidatos para o SUS.

Por André L. Guimarães | Revisão jurídica: Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, OAB/RJ 205.702

Publicado em 10 de outubro de 2026, às 13h10.

Resposta curta: os dois candidatos prometem reduzir as filas do SUS com tecnologia, prontuário digital e uso de hospitais privados. Lula propõe ampliar programas que já existem, como Mais Médicos e Farmácia Popular gratuito. Flávio Bolsonaro propõe um programa chamado Brasil sem Fila, agendamento por inteligência artificial e correção da tabela que remunera hospitais.

Um homem de 58 anos espera há meses por uma consulta com cardiologista pelo SUS. Enquanto isso, retira o remédio de pressão de graça na farmácia do bairro. Ele quer saber se a fila vai andar e se o remédio continuará gratuito depois da eleição.

Por que isso importa

A maior parte dos brasileiros depende do SUS para consultas, exames, cirurgias e remédios. O presidente eleito no segundo turno, em 25 de outubro de 2026, vai definir prioridades e boa parte do dinheiro federal para a saúde.

O que diz a lei

Antes de comparar as propostas, veja as regras que valem hoje:

  • Direito de todos: a saúde é direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e igualitário (art. 196 da Constituição).
  • Dinheiro mínimo: a União, os estados e os municípios têm percentuais mínimos obrigatórios de gasto com saúde (art. 198, § 2º, da Constituição; Lei Complementar 141/2012) [VERIFICAR: regra atual do piso federal].
  • Rede privada: hospitais e clínicas privados podem atender pelo SUS de forma complementar, com preferência para entidades filantrópicas, como as Santas Casas (art. 199, § 1º, da Constituição; arts. 24 a 26 da Lei 8.080/1990).
  • Câncer: o paciente tem direito a fazer os exames de diagnóstico em até 30 dias e a começar o tratamento em até 60 dias após o diagnóstico (Lei 12.732/2012) [VERIFICAR: dispositivo exato do prazo de 30 dias].
  • Dados de saúde: são dados sensíveis e têm proteção reforçada (arts. 5º, II, e 11 da Lei 13.709/2018, a LGPD). Isso vale para qualquer prontuário digital que venha a ser criado.

Como cada um quer reduzir as filas?

Lula: propõe reforçar o programa Agora Tem Especialistas, com terceiro turno nos serviços, Carretas da Saúde e mutirões. Hospitais privados continuariam atendendo pelo SUS em troca de créditos ou abatimento de dívidas. O plano também prevê uma fila única digital, organizada pela gravidade de cada caso.

Flávio Bolsonaro: propõe o programa Brasil sem Fila, com agendamento de consultas e exames por inteligência artificial. O SUS contrataria exames e consultas na rede privada nos horários em que os equipamentos ficam parados. O plano também promete corrigir a tabela do SUS para cobrir o custo real de hospitais, Santas Casas e clínicas.

O que muda nos remédios e nos médicos?

Lula: propõe manter o Farmácia Popular 100% gratuito, incluindo fraldas geriátricas, e acrescentar exames de controle de pressão e diabetes. Mantém o Mais Médicos, com foco em fixar profissionais em áreas vulneráveis, e prevê universalizar a saúde bucal.

Flávio Bolsonaro: propõe entregar remédios em casa para idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos. Prevê ampliar a Estratégia Saúde da Família. O plano não menciona o Mais Médicos nem o Farmácia Popular.

Como fica o atendimento digital?

Lula: propõe consolidar o prontuário único pela Rede Nacional de Dados em Saúde e permitir marcar consultas e ver exames pelo celular. A inteligência artificial seria usada na triagem e no diagnóstico onde faltam especialistas.

Flávio Bolsonaro: propõe um prontuário eletrônico ligado ao CPF, compartilhado entre as redes pública e privada. Prevê telessaúde e um sistema de inteligência artificial para identificar quem corre mais risco de adoecer e chamá-lo para prevenção.

Fique atento: em qualquer dos modelos, o compartilhamento do seu prontuário deve respeitar a LGPD. Você tem direito de saber quem acessa seus dados e para qual finalidade (art. 18 da LGPD).

E as mulheres, a saúde mental e as vacinas?

Lula: prevê exames de câncer de mama e colo do útero, cuidado da endometriose e contraceptivos gratuitos de longa duração. Na saúde mental, amplia os CAPS e o atendimento a pessoas com autismo e com problemas ligados a apostas. Propõe incorporar novas vacinas e priorizar a vacinação nas escolas.

Flávio Bolsonaro: propõe o programa Saúde para Elas, com unidades móveis em ônibus, caminhões e barcos e exames preventivos. Cria Centros de Referência em Autismo e amplia o atendimento a TDAH, depressão e Alzheimer. Prevê manter a vacinação e incentivar a produção nacional de vacinas.

Qual é o limite das promessas?

Especialistas apontam que nenhum dos dois planos detalha como financiar as propostas. No caso de Lula, críticos lembram que ampliar programas exige orçamento em um cenário de déficit. No caso de Flávio, críticos questionam como corrigir a tabela do SUS e, ao mesmo tempo, cumprir a promessa de corte profundo de gastos.

O uso da rede privada também divide opiniões. Defensores dizem que aproveita estrutura ociosa. Críticos dizem que aumenta a dependência de empresas em vez de ampliar a rede pública.

Fique atento: circulou nas redes uma frase falsa atribuída a Flávio Bolsonaro dizendo que ele privatizaria o SUS. A agência Aos Fatos verificou que a declaração foi inventada.

Passo a passo

  1. Leia os planos de governo completos no DivulgaCandContas, site do TSE onde os candidatos registram suas propostas.
  2. Pergunte na sua Unidade Básica de Saúde ou na Secretaria Municipal de Saúde qual é a sua posição na fila e peça o número do protocolo.
  3. Se a espera for longa ou o prazo legal do câncer não for cumprido, registre reclamação na Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136.
  4. Sem solução, procure a Defensoria Pública ou o Ministério Público da sua cidade, levando laudos, pedidos médicos e protocolos.
  5. Desconfie de mensagens dizendo que um programa de saúde “vai acabar” e confira em agências de checagem.

Para entender os termos

  • Tabela SUS: lista de valores que o governo paga a hospitais e clínicas por cada procedimento feito pelo sistema público.
  • Prontuário eletrônico: registro digital do histórico de consultas, exames e tratamentos de cada paciente.
  • CAPS: centros públicos que atendem pessoas com sofrimento psíquico ou dependência de álcool e drogas.
  • Telessaúde: atendimento ou orientação médica feita a distância, por vídeo, telefone ou aplicativo.
  • LGPD: lei que define como empresas e governo podem coletar, usar e compartilhar dados pessoais.
  • Atendimento complementar: serviço prestado por hospitais privados ao SUS quando a rede pública não dá conta da demanda.

Guarde isto: Lula aposta em ampliar programas que já existem, e Flávio aposta em reorganizar a gestão com tecnologia e rede privada. Nos dois planos, falta detalhar como as propostas serão pagas.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica para o seu caso.

Fontes

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