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De 21 visitantes a mais de 70 mil

Maio foi nosso primeiro mês — e, apenas alguns dias depois do lançamento em 25 de maio, o site já registrava 74 visualizações e 21 visitas. Pouco, mas era o começo. Em junho, veio um salto: 802 visualizações e 802 visitas. Julho mudou de patamar: 29.047 visualizações e 27.146 visitas. E chegamos a agosto, com o mês ainda a três dias de terminar, já somando 76.025 visualizações e 70.544 visitas — um crescimento de cerca de 162% nas visualizações e 160% nas visitas em relação a julho, mesmo antes do fechamento.

Talvez o número mais simbólico, porém, esteja fora do site: nos últimos 30 dias, o conteúdo da Sapiências no Instagram somou 1.224.907 visualizações e 97.147 interações. Mais de 1,2 milhão de visualizações. Quase 100 mil interações.

Dá para olhar isso só como estatística de crescimento. Preferimos ver de outro jeito: são pessoas. Alguém que parou alguns segundos para ler, fez uma pergunta, mandou a publicação para um amigo, salvou a informação para mais tarde, chegou ao site atrás de uma resposta que precisava com urgência. E é bem nesse ponto — nessas pessoas do outro lado da tela — que mora a maior responsabilidade que vem junto com esse crescimento todo.

Quanto maior o alcance, maior a responsabilidade

Direito não é entretenimento. Uma manchete exagerada rende clique fácil; uma promessa absoluta viraliza rápido. “Banco sempre tem que devolver.” “Quem tem guarda compartilhada não paga pensão.” “Depois de cinco anos a dívida desaparece.” “Todo trabalhador tem direito a isso.” São frases que se espalham com facilidade — e que, boa parte das vezes, estão erradas.

A Sapiências escolheu não seguir por aí. Queremos crescer, sim, e queremos alcançar cada vez mais gente. O que não vamos fazer é trocar credibilidade por audiência. Quando a resposta depende das circunstâncias, vamos dizer que depende. Quando existe uma exceção, ela vai estar no texto. Quando a situação pede um advogado, a Defensoria Pública, uma delegacia, o Procon, o INSS ou um sindicato, o leitor vai saber exatamente para onde ir. Informação jurídica acessível não é a mesma coisa que informação jurídica simplificada demais — a distância entre uma coisa e outra é enorme.

O Direito precisa começar pela vida

Boa parte do crescimento da Sapiências talvez venha justamente dessa escolha editorial. Uma matéria nossa não começa com “nos termos do artigo tal, parágrafo tal”. Começa com “aconteceu isso comigo, e agora?” — a lei entra depois, no momento em que ajuda a responder essa pergunta, nunca antes. Porque ninguém acorda pensando em estudar responsabilidade civil. A pessoa pensa: “bateram no meu carro e ninguém quer pagar.” Ninguém sai atrás de uma aula sobre Direito Previdenciário; sai atrás de uma resposta para “meu pedido está parado no INSS, o que eu faço agora?”. É essa distância entre o problema que o cidadão vive e a linguagem que o Direito costuma usar para falar dele que a Sapiências tenta encurtar. Os números destes primeiros meses só reforçam algo em que já acreditávamos: existe espaço, e existe necessidade, para esse tipo de jornalismo.

Neste domingo, quatro situações que podem acontecer em qualquer família

A edição especial de hoje é essa proposta em prática.

A primeira matéria parte de uma pergunta que soa simples: o imóvel está no nome do meu filho menor, posso vender só porque sou pai ou mãe? A resposta desmonta algo que muita família não sabe — administrar o patrimônio de um filho não é o mesmo que ser dono dele. Explicamos quando a venda de um imóvel exige autorização judicial, e por que o interesse da criança precisa estar no centro dessa decisão, não o dos adultos.

A segunda reportagem entra num problema cada vez mais comum na vida digital: emprestei minha conta bancária para outra pessoa receber dinheiro, posso responder por um crime? A proposta parece inofensiva — alguém pede para usar sua conta, oferece uma comissão, pede que o valor recebido seja repassado na hora. E se esse dinheiro vier de um golpe? A matéria explica o risco por trás das chamadas contas laranja e uma mudança relevante que a legislação penal sofreu em 2026.

O terceiro especial parte de uma frase que milhares de trabalhadores já ouviram — ou ainda vão ouvir: a partir de segunda-feira, seu horário mudou. A empresa pode fazer isso? E mudar a função? E mandar o funcionário para outra unidade, ou até outra cidade? Mostramos onde o poder do empregador de organizar o próprio negócio esbarra nos limites que a legislação trabalhista já impõe.

Por fim, uma situação que costuma ser delicada dentro de casa: meu pai idoso assinou um empréstimo, ou fez uma compra, que agora não consegue pagar — a idade permite cancelar o contrato? A resposta começa derrubando um preconceito comum: envelhecer não significa perder, automaticamente, a capacidade de decidir sobre a própria vida. Ao mesmo tempo, consumidores idosos têm proteções reais contra pressão, falta de informação e abuso na oferta de crédito. A matéria mostra onde termina a autonomia de uma pessoa e onde pode começar o abuso contra ela.

74 visualizações importaram. 76 mil importam do mesmo jeito.

Tem uma coisa que não queremos perder de vista enquanto a Sapiências cresce: a lembrança de como tudo começou. As 74 visualizações de maio importaram porque havia alguém do outro lado da tela. As 76.025 visualizações de agosto importam pelo mesmo motivo — porque continua havendo gente do outro lado da tela, agora em muito mais número. O tamanho mudou. A responsabilidade, também. O propósito, esse não mudou.

A Revista Sapiências nasceu para aproximar o conhecimento jurídico da população, traduzindo o que costuma soar distante, complicado ou reservado a quem tem diploma. Queremos que uma pessoa termine de ler uma matéria sabendo um pouco mais sobre seus direitos do que sabia antes — e, principalmente, sabendo qual é o próximo passo a dar.

Se mais de um milhão de visualizações nas redes ensinam alguma coisa neste começo de caminhada, é isto: o cidadão não é desinteressado pelo Direito. Ele está cansado é de não entender a língua em que o Direito costuma se apresentar.

Achamos que dá para fazer diferente. Seguimos — com mais leitores, mais responsabilidade e o mesmo compromisso do primeiro dia: falar de Direito para quem mais precisa dele. O cidadão.

Revista Sapiências Informação jurídica para a vida real.

Por, André L. Guimarães, Editor

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