Cuiabá recebeu, nesta sexta-feira (4), a edição Centro-Oeste do Diálogos Regionais — iniciativa dedicada a aproximar e ouvir diretamente a magistratura brasileira. O encontro reuniu 110 magistrados e magistradas para discutir a união da categoria em torno do fortalecimento da Justiça no país.
Quem organiza, e quem participou
O Diálogos Regionais é promovido em conjunto pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça. A edição desta vez ficou a cargo da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), anfitriã do evento. Participaram o presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, e o corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves — presenças que deram ao encontro um peso institucional relevante para uma conversa sobre o papel da magistratura na sociedade.
“A magistratura está muito unida”
A presidente da AMB, juíza Vanessa Ribeiro Mateus, resumiu a leitura que tem feito ao percorrer os estados: “a magistratura está muito unida, e isso é algo que tenho percebido de forma muito clara nas visitas que tenho feito aos estados. Há um sentimento de união, de compromisso e, sobretudo, uma disposição muito grande dos magistrados para contribuir e trabalhar para que as coisas deem certo.”
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, também esteve presente e destacou o valor prático desse tipo de encontro: pensar coletivamente as soluções para os desafios que a magistratura enfrenta no dia a dia. “O fortalecimento das instituições também passa por essa troca de experiência entre aqueles que estão todos os dias trabalhando para garantir direitos e atender a sociedade. Esse diálogo nos ajuda a seguir construindo uma Justiça cada vez mais consciente de sua responsabilidade e do papel que exerce na vida das pessoas”, afirmou.
O que a presença dos ministros representou, segundo a anfitriã
A presidente da Amam, juíza Jaqueline Cherulli, destacou que a presença dos ministros Edson Fachin e Benedito Gonçalves fortalece o próprio Sistema de Justiça, e especialmente a magistratura: “revela a disposição de ouvir, compreender diferentes realidades e construir, pelo diálogo, caminhos para uma Justiça cada vez mais próxima da sociedade.”
Uma cartilha contra golpes que usam o nome da Justiça
Durante o encontro, Jaqueline Cherulli também apresentou aos ministros a cartilha “Não Caia em Golpes” — iniciativa voltada a fortalecer o Sistema de Justiça enfrentando especificamente os golpes do falso juiz, falso advogado, falso defensor e falso promotor de Justiça, práticas que têm se espalhado com frequência crescente.
“A campanha consiste no enfrentamento à engenharia social, técnica de manipulação usada pelos criminosos que se apropriam da credibilidade do Sistema de Justiça para enganar as vítimas. Propomos a nacionalização desta campanha por meio do CNJ e parceria com a AMB para que a prevenção possa alcançar o maior número possível de cidadãos”, completou a juíza.
Quem mais esteve no encontro
Também compareceram a desembargadora Rosana Fachin; o presidente do Consepre, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto; e, representando diretamente a magistratura do Centro-Oeste, o presidente da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul), juiz Mário José Esbalqueiro Júnior; a presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmaego), juíza Nathália Arantes; e a diretora da Associação dos Magistrados do Distrito Federal (Amagis-DF), juíza Acácia Regina Soares de Sá. Membros da diretoria da AMB, desembargadores do TJMT e outros magistrados de Mato Grosso completaram a lista de presentes.
Para entender os termos
- Diálogos Regionais: ciclo de encontros promovido por AMB, STF e CNJ para aproximar a cúpula do Judiciário da magistratura de cada região do país.
- Engenharia social: técnica de manipulação psicológica usada por golpistas para enganar vítimas, explorando a confiança em figuras ou instituições de autoridade — como no golpe do falso juiz ou falso advogado.
- Consepre: órgão consultivo ligado à Presidência do STF, voltado a assessorar decisões que envolvem a magistratura e a administração da Justiça.
- Corregedor nacional de Justiça: ministro do CNJ responsável por fiscalizar a conduta funcional de magistrados e servidores em todo o país.
Por que isso importa
A campanha “Não Caia em Golpes” merece destaque por resolver um problema real e crescente: criminosos que se passam por juízes, advogados, defensores ou promotores para explorar a confiança que a sociedade deposita — com razão — no Sistema de Justiça. Transformar isso numa cartilha nacional, com apoio do CNJ e da AMB, é o tipo de iniciativa concreta que protege diretamente o cidadão comum, e o pedido de nacionalização feito pela própria Amam merece acompanhamento para ver se realmente ganha escala.
Já a fala sobre uma “magistratura muito unida”, repetida em visitas por diferentes estados, ganha um contorno particular quando lida ao lado do noticiário mais recente sobre o próprio STF — tribunal presidido justamente pelo ministro que participou deste encontro em Cuiabá. A união institucional que a AMB celebra em eventos como este convive, no mesmo período, com uma disputa pública entre ministros da mais alta Corte do país, incluindo acusações mútuas de conduta antiética. Isso não invalida o valor de reforçar diálogo e cooperação entre magistrados pelo Brasil — mas serve de lembrete de que discurso de união institucional e crise real de confiança podem, e costumam, coexistir na mesma instituição, ao mesmo tempo.
Fonte:TJMT
O conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação jurídica individualizada, porque situações semelhantes podem produzir respostas diferentes conforme os fatos e documentos do caso.
Da redação, postado em 09 de setembro de 2026, às 00h15. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.
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