A Biblioteca Ministro Victor Nunes Leal completa 135 anos nesta quinta-feira (21), e o Supremo Tribunal Federal decidiu marcar a data com uma programação que mistura celebração, memória e — pelo menos no papel — autocrítica. Convidada a olhar para trás e também para frente, a Corte propõe uma reflexão que interessa a qualquer instituição que dependa de acervos, arquivos e conhecimento acumulado: o que fazer com uma biblioteca centenária num tempo em que a informação jurídica já não cabe mais só em estantes?
A cerimônia começa às 15h, no átrio da biblioteca, com a exibição do documentário “135 anos da Biblioteca do STF”, produzido pela TV Justiça. O filme reconstrói essa história a partir de quem viveu parte dela por dentro — servidores que hoje usam o acervo no dia a dia e pessoas que ajudaram a construí-lo ao longo das décadas.
Uma hora depois, às 16h, o tom muda de comemorativo para mais espinhoso. A mesa-redonda “Bibliotecas Jurídicas em Transformação: inteligência artificial, desafios, oportunidades, atuação profissional e cooperação em rede” propõe encarar de frente uma pergunta que boa parte do mundo jurídico ainda evita: até onde a inteligência artificial substitui — ou ameaça — o trabalho de quem organiza e interpreta o conhecimento jurídico? O debate reúne Dayanne Prudencio, pós-doutora em Ciências, Tecnologias e Inclusão pela Universidade Federal Fluminense; Osmar Arouck, à frente da Biblioteca do Senado Federal; e Valéria Valls, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Três olhares diferentes para uma mesma inquietação: como manter relevância profissional num campo cada vez mais automatizado.
O encerramento fica para às 18h, com a abertura da exposição “135 anos da Biblioteca Victor Nunes Leal”, no Espaço Menezes Direito. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, deve prestigiar a mostra, que reúne marcos da trajetória da biblioteca e reforça — em tom mais institucional do que crítico — o papel do acervo na preservação da memória do Supremo e na produção do conhecimento jurídico brasileiro.
Resta saber se a reflexão proposta pela mesa-redonda vai além do simbolismo de uma data redonda, ou se, como costuma acontecer em efemérides do Judiciário, o debate sobre o futuro se esgota no mesmo dia em que é celebrado.
Da redação, postado em 17/08/2026, às 19h07












