Dívida no cartão, conta atrasada, aquela sensação de que o salário nunca é suficiente até o fim do mês — para muita gente, isso não é só um problema de planilha, é um peso que atravessa o sono, o humor e as relações. Foi esse cruzamento entre dinheiro e cabeça que o Tribunal de Justiça do Amapá colocou em pauta nesta sexta-feira (4), numa Roda de Conversa sobre Saúde Financeira e seus impactos na saúde mental, realizada no Espaço Bem-Estar, no Anexo do Fórum de Macapá.
Parte de uma programação maior
O encontro integra a programação “Saúde Mental no Trabalho, Escuta Ativa e Empatia Presente”, conjunto de ações que o TJAP organiza dentro da campanha Setembro Amarelo. Reuniu profissionais de Psicologia e de Finanças para discutir como organizar a própria vida financeira pode trazer mais tranquilidade à rotina — e, no sentido inverso, como dificuldades nessa área afetam diretamente a saúde mental, as relações pessoais e até o desempenho no trabalho.
Para Lorena Monteiro, coordenadora de Gestão de Avaliação por Competência do TJAP, a escolha do tema partiu de uma necessidade concreta de ampliar o olhar sobre os fatores que pesam no bem-estar dos servidores: “o tema foi escolhido diante de várias interpretações que têm no nosso dia a dia, do cuidado com a nossa saúde financeira, como é que a gente tem feito esse levantamento diário.”
Por que dinheiro e saúde mental andam tão próximos
O psicólogo Leonardo da Costa, da Clínica Oncológica do Brasil, foi direto sobre essa conexão: “as dificuldades financeiras podem gerar preocupações que interferem no cotidiano, e que mexem com questões emocionais e podem influenciar decisões relacionadas ao dinheiro.” Segundo ele, saúde financeira não se resume à capacidade de poupar ou administrar bem os recursos — envolve também conseguir garantir necessidades básicas, como alimentação, higiene e moradia, além de ter acesso a momentos de lazer e atividades que trazem prazer para a rotina.
Para o psicólogo, entender essa relação exige autoconhecimento: “a relação entre essas duas áreas exige autoconhecimento para poder identificar gatilhos, atitudes impulsivas, além de dificuldades para lidar com determinadas situações que podem impactar negativamente mais na frente.”
O secretário de finanças do TJAP, Gláucio Bezerra, também participou do encontro e reforçou um ponto importante: saúde financeira não depende só da quantidade de dinheiro disponível. Para ele, reconhecer cedo os primeiros sinais de que as dificuldades financeiras estão interferindo na vida pessoal faz toda a diferença antes que o problema se agrave.
O que é o Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo é a campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida. Ao longo do mês, instituições públicas e privadas, profissionais de saúde e a sociedade em geral ampliam o debate sobre saúde mental, acolhimento e prevenção.
O TJAP mantém, durante todo o mês, uma programação voltada à saúde mental e ao bem-estar de seus servidores, com atividades tanto na capital quanto nas comarcas do interior — incluindo Plantão Psicológico, ações do Projeto Conectividade e o programa Perfil de Saúde. Iniciativas de escuta, empatia e cuidado dentro do ambiente de trabalho ajudam a identificar sinais de sofrimento antes que se agravem, e contribuem para construir espaços mais acolhedores no dia a dia profissional.
Para entender os termos
- Setembro Amarelo: campanha nacional de conscientização sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida, realizada anualmente em setembro.
- Saúde financeira: capacidade de administrar recursos e garantir necessidades básicas — alimentação, moradia, higiene — além de acesso a lazer, sem que isso gere sobrecarga emocional constante.
- Escuta ativa: técnica de comunicação que envolve atenção plena e genuína ao que a outra pessoa comunica, usada como ferramenta de acolhimento em ambientes de trabalho.
Por que isso importa
Colocar saúde financeira e saúde mental na mesma roda de conversa é reconhecer algo que muita gente vive na pele, mas raramente vê tratado com essa clareza dentro de uma instituição pública: o estresse financeiro não fica isolado numa planilha — ele atravessa sono, relação familiar, capacidade de concentração no trabalho e, em casos mais graves, pode se tornar fator de risco para sofrimento psíquico intenso.
O desafio que fica, para além de um encontro pontual em setembro, é sustentar esse tipo de cuidado ao longo do ano inteiro — não apenas no mês em que a campanha nacional torna o tema mais visível. Reconhecer os primeiros sinais, como destacou o secretário de finanças do TJAP, exige espaço de escuta contínuo, não sazonal; e instituições que dependem de servidores presentes, atentos e bem cuidados têm todo interesse prático, além do humano, em transformar rodas de conversa como essa em política permanente, não em evento isolado de calendário.
Este é um tema sensível. Se você ou alguém próximo estiver passando por sofrimento emocional ou pensamentos suicidas, procure ajuda profissional. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias.
O conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação jurídica individualizada, porque situações semelhantes podem produzir respostas diferentes conforme os fatos e documentos do caso.
Da redação, postado em 06 de setembro de 2026, às 17h08. Matéria revisado pelo Editor André Luiz Guimarães, revisão jurídica da Dra. Mariana Rodrigues Valle Guimarães, inscrita na OAB/RJ 205702.
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