Uma mulher de 35 anos se jogou de um carro em movimento depois de temer, segundo relatou à Polícia Militar, ser morta pelo próprio marido, de 32 anos. O caso aconteceu em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, e o momento do salto foi flagrado por uma câmera de segurança. O suspeito foi preso em flagrante no mesmo dia e deve responder por lesão corporal e violência psicológica, segundo a Polícia Civil. O nome dele não foi divulgado, e por isso o g1 não conseguiu localizar a defesa.
No vídeo, registrado na quarta-feira (12), o carro faz uma rotatória e, no instante em que a velocidade cai, a porta se abre. Ela salta, cai no chão, levanta na mesma hora e corre até uma calçada próxima. É um gesto de poucos segundos — mas, segundo o relato que ela deu à PM, foi o desfecho de mais de doze horas seguidas de perseguição, ameaça e agressão.
Um dia inteiro dirigindo sob ameaça
A história começa na tarde do dia anterior ao salto. Por volta das 17h, o marido a buscou no trabalho — e, a partir daí, não parou mais de dirigir. Passou por Rio Verde, seguiu para Santa Helena de Goiás, depois para Itumbiara, repetindo ao longo do trajeto a mesma pergunta: se ela o estava traindo. Segundo o que ela contou aos militares, as agressões não pararam durante esse percurso inteiro. Os dois só voltaram a Rio Verde por volta das 2h da manhã.
Poucas horas de sono depois, ele a fez entrar no carro outra vez. Disse a ela, então, qual era o plano: iriam até a casa do suposto amante, colocaria os dois frente a frente para forçar uma confissão — e, em seguida, mataria ambos. Foi durante esse segundo trajeto, já sob novas agressões, que ela decidiu que pularia assim que tivesse uma chance. A chance veio na rotatória, quando o carro desacelerou.
Como a polícia chegou até ele
Com as características do veículo em mãos, a PM localizou o carro estacionado em frente à própria casa do suspeito e efetuou a prisão em flagrante ainda naquele mesmo dia. Até a última atualização da reportagem original, ele seguia preso.
Há um detalhe que atravessa o relato inteiro e que vale reter: a decisão de pular de um carro em movimento não nasce do nada. É o tipo de escolha que uma pessoa só faz quando calcula, ainda que em frações de segundo, que o risco de ficar é maior do que o risco de saltar. Foi esse cálculo — feito depois de mais de doze horas sem conseguir escapar de outro jeito — que a câmera de segurança registrou.
Canais de apoio e denúncia: em situações de violência doméstica, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher, gratuita) ou, em caso de emergência, acione o 190.
Da redação, postado em 14/08/2026, as 18h36, fonte: G1












