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A promessa tem letras miúdas: o que o governo esconde ao dizer que vai “zerar a fila” do INSS

Fila do INSS: o que falta para o governo cumprir a promessa de zerar os atrasos até setembro

Embora o Instituto Nacional do Seguro Social ainda mantenha 1,831 milhão de requerimentos pendentes de análise, a promessa do governo federal de “zerar a fila” não abrange a totalidade desse estoque. A meta anunciada restringe-se aos pedidos que aguardam resposta há mais de 45 dias — e, segundo dados apresentados na terça-feira (30), durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, esse recorte soma 555 mil requerimentos. É esse contingente que precisará ser absorvido para que o compromisso assumido pelo governo se cumpra até setembro.

O tamanho do desafio se torna mais evidente à luz do histórico recente: em fevereiro deste ano, a fila havia alcançado o patamar recorde de 3,128 milhões de requerimentos, o que levou o governo a intensificar as medidas voltadas à redução do tempo de espera dos segurados.

Afinal, o que significa “zerar a fila”?

Há cerca de duas semanas, o governo federal reafirmou publicamente a meta de zerar a fila do INSS até setembro. O Ministério da Previdência, contudo, faz uma ressalva importante: a meta não corresponde à eliminação de todos os pedidos em aberto, mas sim ao encerramento do estoque de requerimentos que ultrapassam 45 dias sem resposta — prazo que o governo adotou como parâmetro para caracterizar o atraso na análise.

Na prática, isso significa que, mesmo alcançada a meta, o INSS continuará operando com pedidos em análise, desde que permaneçam dentro desse intervalo considerado regular.

As medidas por trás da redução da fila

O INSS atribui a queda no volume de pedidos pendentes a um conjunto de iniciativas adotadas nos últimos meses, entre as quais se destacam:

  • a priorização do Programa de Gerenciamento de Benefícios;
  • o reforço na análise de pedidos de salário-maternidade;
  • a criação de grupos de trabalho dedicados ao tema;
  • a ampliação da oferta de vagas para avaliação social;
  • a realização de mutirões de análise;
  • a nomeação de 300 novos analistas do seguro social.

A esse conjunto de ações somou-se, em abril, uma mudança na presidência da autarquia: a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira assumiu o comando do INSS em substituição a Gilberto Waller.

Perguntas e respostas sobre a fila do INSS

Quantos pedidos ainda aguardam análise no INSS? Em junho, o instituto contabilizava 1,831 milhão de requerimentos em análise.

Quantos pedidos estão acima de 45 dias? Do total de pedidos pendentes, 555 mil aguardam resposta há mais de 45 dias.

Por que o governo afirma que vai zerar a fila, se ainda há mais de 1,8 milhão de pedidos em aberto? Porque a meta considera exclusivamente os requerimentos que ultrapassaram os 45 dias de espera. Os pedidos mais recentes seguem integrando a fila, mas não são contabilizados como atraso para efeito da meta.

A fila diminuiu? Sim. Segundo dados divulgados pelo INSS, o estoque total recuou de 3,128 milhões, em fevereiro, para 1,831 milhão em junho.

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