Dona Regina parou de trabalhar por causa da coluna. Pediu o auxílio incapacidade ao INSS há oito meses. Até hoje, vive da ajuda da filha e de um “vai sair, vai sair” que nunca sai.
Essa espera tem nome e é conhecida por qualquer um que já precisou do INSS: a fila. Pedidos de aposentadoria, auxílio-doença e outros benefícios previdenciários frequentemente levam meses — em muitos casos, mais de um ano — para serem analisados, mesmo quando a lei estabelece prazo menor para a conclusão do processo administrativo.
O que está por trás dessa demora é uma combinação de fatores: sobrecarga de pedidos, perícias médicas escassas, sistemas que travam, filas que se acumulam desde a pandemia e nunca mais voltaram ao normal. Para quem está do lado de fora dessa engrenagem, o que resta é a vida em suspenso — sem renda, sem previsibilidade, dependendo da caridade de parentes ou contraindo dívidas só para sobreviver até que o benefício, se aprovado, comece a pagar.
Existe, felizmente, instrumento jurídico para isso. Quando o prazo legal é ultrapassado sem resposta, o segurado pode entrar com um mandado de segurança ou ação judicial pedindo que a Justiça obrigue o INSS a decidir o pedido — não necessariamente a conceder o benefício, mas a analisá-lo dentro de um prazo determinado pelo juiz. É um caminho que exige orientação jurídica, mas que tem se mostrado eficaz em muitos casos.
A dor de Dona Regina é dupla: a dor física que a tirou do trabalho, e a dor da espera que a empurra para a dependência. Nenhuma lei consegue devolver o tempo perdido — mas conhecer os mecanismos para acelerar a resposta do INSS pode, ao menos, encurtar a distância entre o pedido e o alívio.
Da Redação, Atualizado 19/07/2026, às 01h01














