Falar em resistência no mundo do trabalho ainda soa, para muita gente, como falar em utopia. E talvez seja mesmo — mas uma utopia com pés no chão, sustentada por fundamentos sociais concretos e por possibilidades técnicas reais, sempre que existe vontade genuína de defender quem vive do próprio trabalho. É essa a aposta dos autores e autoras do segundo volume de Direito Coletivo do Trabalho.
O livro não se dirige apenas a advogados, juízes e estudiosos do Direito do Trabalho. Fala também — e talvez principalmente — a trabalhadores, trabalhadoras e sindicatos, para quem os capítulos indicam caminhos possíveis de luta, mesmo dentro de um sistema que insiste em corroer direitos sociais conquistados a duras penas.
As narrativas reunidas aqui dão continuidade às histórias já contadas no primeiro volume, aprofundando-as. Mais do que relatar, elas apontam direção: convocam quem sonha com uma sociedade diferente — e melhor — a entrar na luta.
Porque o Direito do Trabalho que se quer construir não nasce de teoria isolada. Ele depende da força de uma classe trabalhadora plural, formada por sindicatos, mas também por todos os que enfrentam, no dia a dia, o racismo, a homofobia, a misoginia, o feminicídio e tantas outras violências que atravessam a vida de quem trabalha. Quando essas pessoas se unem por uma vida melhor, muita coisa deixa de ser impossível.
É com essa esperança que os autores e autoras compartilham seu conhecimento: a de que comunidade jurídica, trabalhadores brasileiros e movimentos sociais, juntos, consigam abalar as estruturas de um sistema que oprime, explora e mata milhões de pessoas todos os dias.
Fica então o convite — que é mais que uma boa leitura. É um chamado à prática efetiva de resistência. No fim das contas, é disso que o Brasil precisa.
Destaque: Entre os capítulos do volume está “A figura do empregado hipersuficiente no direito do trabalho pátrio — evolução legislativa e jurisprudencial ou retrocesso social?”, de autoria da Dra. Silvia Appratto Tenorio Trinta, especialista em Direito do Trabalho e vice-presidente da Comissão Especial de Acidente do Trabalho da OAB/RJ.
Da Redação, Atualização 20/07/2026, às 19h19














